Panorama

Social commerce no Brasil: por que a venda está voltando para o domínio próprio

O Brasil descobre e negocia produto em rede social como poucos mercados no mundo. O movimento agora é outro: trazer para a própria loja o formato que funciona nas redes.

Ver como funciona

Usado por mais de 6 mil lojas. Leitura de 10 min.

Vídeo do iShorts com card de produto, preço e botão de compra dentro do player

Compra no vídeo

Carrinho nativo da loja

Social
Descoberta
Próprio
Domínio
Vídeo
Formato

O que é social commerce e o que muda com video commerce?

Social commerce é vender usando a rede social como parte do processo: descoberta no feed, negociação por mensagem, venda fechada por link ou dentro do próprio aplicativo. Video commerce é o formato dessa venda, o vídeo vertical com compra, aplicado em qualquer canal, inclusive na sua loja. A distinção importa porque uma é sobre onde a venda acontece e a outra é sobre como o produto é apresentado. O movimento atual do e-commerce brasileiro é justamente separar as duas: continuar usando as redes para descobrir cliente e trazer o formato de vídeo para o domínio próprio, onde a margem, o dado e o cliente são seus.

As quatro camadas do social commerce brasileiro

Vale separar as camadas, porque cada uma tem economia própria e nível de dependência diferente.

Vitrine de videos do iShorts integrada ao layout da loja
  • Descoberta na rede social

    Feed, Reels, TikTok e Pinterest criando desejo em quem não procurava o produto. É a camada mais forte do Brasil e a mais difícil de substituir. Continua valendo o investimento.

  • Conversa no mensageiro

    WhatsApp fechando a venda, negociando e respondendo dúvida. Converte muito e escala mal, porque cada conversa consome tempo de uma pessoa.

  • Checkout dentro do aplicativo

    Compra concluída sem sair da rede social, com a regra, a comissão e a política de dados da plataforma. Disponibilidade e condições variam e mudam com frequência, então confira o que vale para a sua operação hoje.

  • Loja própria com formato social

    A camada mais recente: trazer vídeo vertical com compra para dentro do próprio domínio. Aqui a margem é maior, o dado é seu, o cliente é seu e ninguém pode desligar o canal.

O contexto do mercado

Por que o Brasil é atípico nisso

O comércio social brasileiro não nasceu de estratégia de plataforma, nasceu de comportamento. O consumidor daqui usa rede social e mensageiro para praticamente tudo que envolve consumo: descobre produto no feed, pede indicação em grupo, pergunta preço na mensagem direta, negocia frete por WhatsApp, combina retirada, manda comprovante de pagamento em imagem. Nenhuma dessas etapas foi desenhada por um produto de e-commerce, e todas acontecem milhões de vezes por dia.

Isso criou um mercado com uma característica rara: a conversa faz parte da compra. Em muitos países a venda online é um fluxo silencioso de vitrine e checkout. Aqui existe um vendedor do outro lado em boa parte das transações, respondendo, gravando vídeo, mandando foto do estoque, dando desconto na hora. É ineficiente para escalar e é extremamente eficaz para converter, e essas duas coisas convivem.

A consequência para quem opera loja virtual é que o consumidor brasileiro chega na página de produto acostumado a outro nível de informação e de resposta. Ele viu vídeo, conversou, teve pergunta respondida. A página estática com seis fotos em fundo branco e uma descrição herdada do fornecedor é um retrocesso em relação ao que ele acabou de experimentar no canal social. Essa distância é a maior causa silenciosa de abandono.

Há também um fator de infraestrutura que explica a força do vídeo especificamente. A navegação é dominantemente móvel, o consumo de vídeo vertical é altíssimo em praticamente todo perfil de público, e o formato já é a linguagem padrão de apresentação de produto no país. Vender com vídeo aqui não é educar mercado, é falar a língua que já se fala.

A lição que ficou

O que aconteceu com o live commerce

Houve um período em que live commerce foi apresentado como o futuro inevitável do varejo brasileiro, com a experiência de outros mercados asiáticos como prova. Grandes varejistas montaram estúdio, contrataram apresentador, agendaram transmissão e anunciaram a estreia. Boa parte desses programas foi descontinuada em silêncio depois de alguns meses.

O motivo não foi o vídeo. Foi o modelo de operação. Live exige que três coisas coincidam: o conteúdo ser produzido ao vivo, a audiência estar disponível naquele horário exato e a equipe manter uma cadência de programa de televisão. Falhar em qualquer uma das três derruba o resultado, e manter as três exige uma estrutura que quase nenhuma operação de e-commerce tem. Um produto de estúdio caro que gera venda apenas durante a transmissão tem custo por venda difícil de justificar.

A comparação com os mercados de referência também foi feita rápido demais. Nesses mercados o live commerce cresceu apoiado em superaplicativos com pagamento, mensagem e vitrine no mesmo ambiente, e em uma cultura de compra por transmissão construída ao longo de anos. Importar o formato sem importar a infraestrutura em volta produz um programa bonito com pouca venda.

A lição útil é a que sobrou depois. O que funcionava na live não era o ao vivo, era o vídeo: alguém mostrando o produto de verdade, respondendo dúvida, provando que a coisa existe. Isso continua funcionando fora do ao vivo, com custo muito menor, disponível vinte e quatro horas, no momento em que o cliente está decidindo em vez do horário em que a marca decidiu transmitir. Vídeo gravado com botão de compra na página de produto é a versão sustentável dessa mesma ideia.

Lojas que já vendem com vídeo

Mais de 6 mil lojas usam o iShorts, de marca nascida no Instagram a varejo tradicional.

  • Beide
  • Café com Deus Pai
  • Ela Up
  • Esplanada Móveis
  • Exx Nutrition
  • Les Cloches
  • Loja Rendere
  • Modern Clixx
  • Peregrino Nacional
  • Primacial
  • Ropek
  • Saint Germain Brand
  • Silver Crown
  • Store Guette
  • Use Adel
  • Use a Ela
  • Use Tha Beauty
  • Ysy Acessórios
  • Zanne Joias

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Onde a venda acontece e o que você controla

Comparativo entre os três destinos possíveis da mesma venda. Os três são legítimos e podem coexistir. A diferença está em quem controla o quê.

CritérioVenda no aplicativo da redeVenda por mensagemVenda na loja própriarecomendado
Dono do relacionamento com o clienteA plataformaVocê, mas por pessoaVocê
Comissão sobre a vendaDefinida pela plataformaNenhumaNenhuma
Escala sem aumentar equipeSimNão, é uma a umaSim
Dado de comportamento do visitanteAgregado e limitadoSó o da conversaCompleto, no seu analytics
Risco de perder o canalConta pode ser desativadaNúmero pode ser bloqueadoO domínio é seu
Força na descoberta de novo clienteAlta, é o ponto forteBaixa, depende de contatoDepende de tráfego

A leitura correta não é escolher uma coluna. É usar as redes para descobrir cliente e não deixar a venda inteira depender de um canal que você não controla.

Perguntas frequentes sobre social commerce no Brasil

Social commerce é sobre onde a venda acontece, usando a rede social como parte do processo. Video commerce é sobre como o produto é apresentado, com vídeo vertical e compra no player, em qualquer canal. Dá para fazer video commerce dentro do próprio domínio sem depender de nenhuma rede social.

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